(des)Serviço

Volta e meia nos deparamos com situações pitorescas propiciadas pelas brigadas de salão de alguns restaurantes.

Dentre os exemplos, está a questão do sumiço da tampinha da água mineral e da rolha dos vinhos. Prefiro que a minha água com gás permaneça com tampa (por motivos óbvios) e fique na minha mesa.
Algumas rolhas de vinhos são tão longas e lindas e fazem parte da história daquele líquido. Prefiro que ela permaneça na mesa até eu me decidir sobre levá-la ou não para casa (para a coleção de rolhas).

Existem também os restaurantes que escrevem o número da mesa no rótulo do vinho do cliente (daquela garrafa que estava guardada há anos na adega de casa com tanto carinho). Um amigo que gosta de guardar os rótulos dos vinhos que mais apreciou ficou desgostoso quando percebeu o rabisco na sua garrafa querida.

Existem também aqueles episódios aonde o garçon/sommelier interrompem a sua refeição para oferecerem uma taça de um vinho bacana que harmoniza perfeitamente com o prato que o cliente está tentando consumir.

No começo do ano, fomos à um restaurante jantar. Enquanto aguardávamos nossos amigos chegarem, o garçon veio à mesa três vezes, interronpendo a nossa conversa, explicar como a casa funcionava no almoço.

E a feição que fazem quando recusamos o couvert? Já me senti culpada por recusar tantos couverts na minha (ainda) curta vida de comensal.

Nesta semana observei que não é apenas em restaurantes e afins que estes (des)serviços acontecem. Nas lojas de roupas, sapatos, farmácia e cabeleireiro também passei por situações que tristemente hoje passam desapercebidas.

Você está no provador experimentando uma calça. A vendedora começa a oferecer blusas, saias, vestidos, casacos, coletes e cintos (...), amontoando as roupas sobre a porta do seu provador. E você só queria uma calça. Uma calça.

Entrei em uma loja de calçados à procura de um determinado modelo da vitrine. Não tem o meu número. A vendedora aparece com um scarpin (de salto altissimo e solado vermelho - tá na moda é?) no mesmo número que pedi a sapatilha (sem salto algum).

Fui procurar sal amoníaco na farmácia para fazer biscoitos. Não tinha. Lembrei que o ácido acetilsalicílico da minha bolsa havia acabado. Peguei uma cartela e fui ao caixa. A senhora não gostaria de aproveitar a promoção? Este ótimo spray de própolis está em promoção hoje...

Talvez o fato de usar o cabelo preso dentro da touca quase todos os dias seja uma desculpa pessoal para não lembrar de ir ao cabeleireiro. Agendo um corte. Enquanto lavo o cabelo, escuto várias opiniões. Já fez luzes? Ficaria lindo um pouco de luzes no seu cabelo. Não, obrigada. Por que não aproveita e faz uma hidratação com chocolate? Prefiro usar chocolate em doces e não no cabelo. Você precisa experimentar este shampoo (deve ser de alguma marca "boa-famosa"), deixa o cabelo maravilhoso! E tudo isso apenas enquanto lavava o meu cabelo...

Antes que alguém me chame de ranzinza, já aviso que este post foi apenas fruto da minha observação de consumidora.

Postado por Nina Moori.

Comentários

Le Vin au Blog disse…
Ótimo post. Adorei.
Eu reclamo demais sobre tudo isso.
Beijos.
Rafaela
ameixa seca disse…
Fez-me rir :) Isso acontece em todo o lado!
Daniele disse…
Importante lembrar quando, em vez de um atendimento "excessivo" os garçons, vendedores, caixas e afins, eles fazem de conta que vc é um objeto de decoração do lugar e aí vc tem que migalhar pra pagar a conta ou ser atendido. O despreparo no atendimento de clientes aqui no Brasil é impressionante.
espressa-mente! disse…
O minimo que podemos fazer é reclamar! Agua sem tampa ou ja aberta eu mando voltar..é direito meu...tô pagando! :o)

curioso é que em paris os vinhos eram abertos em outro lugar, numa mesa de apoio...ao pedir a rolha..a mesma era prontamente colocada a mesa! porem numa correspondia ao vinho que estavamos bebendo! :o)
Nadia disse…
É verdade, pode parecer coisa de ranzinza... mas incomoda né? Quase perdi a paciência com a moça que me oferecia insistentemente a troca da gasolina comum pela aditivada.

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