quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Don Melchor - vertical

Nesta edição do Descorchados, também trarão algumas verticais. Participei de uma delas: Don Melchor.


As safras foram: 1987 (a primeira), 1989, 1991, 1993, 1995, 1996, 1998, 1999, 2002 e 2005.
Para alguns, a 1987 já estava se "cansando", particularmente achei ótimo, com as notas de evolução começando a dominar o frutado maduro. Outras safras que achei interessante foram: 1989, 1996, 1998 e 2005.
Como duas das principais revistas de enogastronomia brasileiras publicaram recentemente verticais de Don Melchor, acho desnecessário me alongar em comentários (já muito bem detalhados). Apenas destaco a coerência de ano para ano, pode-se notar um esqueleto comum deste ícone chileno.


Postado por Marcel Miwa.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Descorchados 2010 Chile

Depois da Argentina, seguimos para a etapa chilena do Descorchados 2010. Na Argentina, escolhi dez vinhos que me impressionaram, no caso chileno, escolhi quatorze.
Quer dizer que os vinhos chilenos são melhores que os argentinos?
Diria apenas que a diversidade em castas e estilos é maior no Chile, o que resultou em mais destaques.
Chadwick 2006 (93)
100% CS com notas de café, pão tostado e fruta limpa. Taninos muito finos.


Seña 2006 (93)
Resultado do assemblage de CS, Me, Ca, PV e CF que estão sendo cultivados biodinamicamente no Aconcágua. Um vinho com muito estilo.


Montsecano Pinot Noir 2008 (92+)
Um PN muito elegante e profundo. Um projeto biodinâmico de 7ha. em Casablanca. André Ostertag (Alsace) é um dos sócios.


Antiyal 2007 (92)
Ca, CS e Sy cultivados no Maipo biodinamicamente por Alvaro Espinoza.


Almaviva 2007 (91+)
CS, Ca e CF. Muita fruta, madeira em segundo plano. Impressiona mais em boca.


Santa Rita Casa Real 2005 (91+)
100% CS. Fruta concentrada, tosta intensa e láctico. Taninos finos e leve toque de ervas. Um CS chileno muito típico.


Clos Ouvert Otoño 2007 (91)
Vinho natural. O enólogo Louis-Antoine Luyt segue a escola de Marcel Lapierre. Notas de amora e levedura com taninos ainda jovens.


Matetic Syrah 2006 (91)
100% Syrah de uma parcela considerada especial em San Antonio. Fruta negra madura, ervas e pimenta negra sutis, untuoso e com taninos finos.


Polkura Syrah Block G+I 2007 (91)
Duas parcelas especiais de Syrah, vinificadas à moda Côte-Rôtie, com uns 2% de Viognier. Notas de ameixa, chocolate e almíscar.


Carabantes Von Siabenthal 2007 (91)
Recentemente aclamados com altíssimas notas de Parker (Jay Miller), este Sy, CS e PV apresentam nariz bastante limpo, fruta vermelha com toque de pimentão, taninos finos, acidez correta e final com notas e doce de leite.


Garage wine Co. Carignan 17 Old Vine 2008 (90)
Um assemblage dominado pela Carignan, que parece ser a nova vedete dos produtores mais modernos. Vinho de estilo mediterrâneo, com fruta assada e chá preto. Boa acidez para equilibrar.


Casa Marin Cipreses Vineyard 2009 (90)
Vinho que impressiona. Notas de grapefruit e ervas intensas, acidez bastante viva, apenas pequena doçura a mais em boca.


Casa Marin Laurel 2009 (90)
Além das mesmas notas do anterior (Cipreses), percebe-se aromas de leveduras e leve tosta.


Alto Las Gredas 2005 (89)
Produzido na mesma região do Sol de Sol (que também se saiu bem na degustação), este Chardonnay do Valle del Malleco, possui apenas 11,8% de álcool. Notas limpas de pimenta, baunilha e cítricos.


Postado por Marcel Miwa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Canciller Bodega Giol


Em meio a um jantar com os enólogos Marcelo Pelleritti e Adrián Manchón, surgiu uma garrafa deste desconhecido vinho. Claro, entre tantos vinhos de Monteviejo e Pomerol de Mme. Péré-Vergé é natural que este rótulo não atraísse tanta atenção. Marcelo apenas comentou que era um vinho argentino muito antigo, que não trazia a safra no rótulo, mas provavelmente se tratava de um assemblage de safras entre 1972 e 1976.
Guardei a foto e fui pesquisar.
A Bodega Giol foi fundada pelo imigrante italiano Juan Giol em 1911. Suas atividades no mundo do vinho se iniciaram em 1897 com seu cunhado Gargantini, numa ssociação com uma das bodegas de Pascual Toso.
Em 1915,Juan Giol deixou para seus descendentes 3000 hectares de vinhedos e voltou para a Itália onde, 1923 comprou um castelo em San Polo del Piave (Vêneto) e fundou a Cantine Giol, ativa até hoje.
Em 1954, a bodega Giol argentina foi estatizada e sua atividade perdurou até final da década de oitenta, no distrito de Maipú-Mendoza. Canciller era o nome de seu principal rótulo e também é o atual nome do bairro que ocupa 24 hectares, antes tomados por vinhedos e vinícola. Atualmente, esta marca e outras da Giol são comercializadas pela cooperativa Fecovita.
As primeiras casas construídas nesta área, em meados da década de setenta, eram destinadas à moradia dos funcionários da bodega. Até hoje, muitos ex-funcionários da estatal ainda residem no bairro, inclusive são conhecidos como giolinos.
Quanto ao vinho, o visual era rubi bem claro com halo atijolado. O aroma obviamente tinha algumas notas acéticas e terrosas, mas podia-se notar que a fruta era bastante fresca, distante do estilo atual (concentrado).
Bebemos uma parte da história de Mendoza!

Postado por Marcel Miwa.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sequilhos baianos


Estes sequilhos baianos (presente de I.) foram apreciados com chá e café.

Postado por Nina Moori.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Décima quinta harmonização virtual


Para a décima quinta harmonização virtual, escolhemos um prato com toques asiáticos à base de carne de porco para harmonizar com o vinho Wehlener Sonnenuhr Selbach Riesling Spätlese 2004 do produtor Selbach-Oster indicado pelo Claudio e pela Rafaela, do Le Vin au Blog.


Lombo de porco com kinkan:
(5 porções)
1.5 kg lombo de porco limpo
1 tsp sal
1 tsp de especiarias moídas (pimenta do reino preta moída na hora, coentro em grão e anis estrelado)
1 pimenta dedo de moça sem semente finamente fatiada (tamanho médio)
4 tbsp óleo de girassol ou milho
5 cebolinhas em pedaços de 4cm
3 tbsp de vinho de arroz chinês (Shao Shing)
2 tbsp de shoyu
água quente q.b.
2 tsp de gengibre ralado
4 tbsp de geleia de kinkan ou laranja
2 tsp de amido de milho
1 clara de ovo

Modo de preparo:
Corte o lombo em cubos de 2,5cm. Tempere com as especiarias e o sal. Deixe descansar por 15 minutos. Una a clara de ovo e o amido. Deixe repousar por 5 minutos.
Aqueça bem 3 tbsp de óleo em panela de fundo grosso ou wok. Doure os cubos de lombo. Remova da panela e mantenha aquecido.
Aqueça o óleo restante na panela e salteie a cebolinha e a pimenta vermelha por alguns segundos. Volte o lombo, una os líquidos (vinho, gengibre e shoyu) e a geleia, deixando a água por último.
Em fogo baixo, cozinhe acrescentando a água quente aos poucos, até a carne ficar tenra e obter uma quantidade razoável de molho.

Sirva com arroz jasmin cozido apenas em água com toque de sal (siga as instruções da embalagem).


O prato era saboroso, apesar da aparência não ter ficado muito atraente. Na próxima vez, acrescentaremos mais especiarias e pimenta vermelha e deixarei a cebolinha para o final.
Este vinho possui leve doçura (os Spätleses - meio doce - podem ir do levemente doce ao intensamente doce, é uma classificação ampla e cada produtor segue um estilo), muito bem equilibrada por uma acidez viva e com 8% de álcool. Estas características, mais os elegantes aromas cítricos e minerais o tornam um vinho muito agradável, fácil de se tomar uma garrafa inteira.
Sobre a harmonização do Lombo de porco com kinkan e com o Spätlese Selbach: embora o vinho não "passasse" por cima da carne, um toque a mais dos condimentos teria deixado o casamento mais adequado. O vinho ressaltou o sabor da kinkan e a alta acidez deixou o prato mais leve.

Confiram também esta harmonização virtual no Da Cachaça pro Vinho e no Rocambole.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Domaine Bott-Geyl Les Éléments Riesling 2007


A Alsace hoje divide com o Loire o título de maiores berçários de produtores de vinhos biodinâmicos. Certamente a Alsace leva vantagem pelas condições climáticas bastante estáveis. A proteção do Vosges e a grande diversidade de terroirs criam um cenário propício ao emprego da biodinâmica.
Este ótimo biodinâmico da Alsace mostrou ótima acidez, aromas cítricos, florais e minerais de forma bastante limpa. Foi harmonizado com um Curry verde thai (curry verde em pasta, toque de pimenta vermelha, cebola, gengibre e coentro) no restaurante Nicota.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Cupcake de aniversário

O Marcel disse que não queria bolo de aniversário. Ele sempre fala a mesma coisa. Todo ano.
Bom, cupcake não é bolo. É cupcake...



Cupcake de aniversário:
40g de manteiga temp. amb.
40g de gema de ovo de galinha caipira
120g de açúcar orgânico
20g de leite ou iogurte
140g de farinha de trigo
4g de fermento químico
groselha fresca ou congelada (30 unidades)
chocolate branco em pedaços (cerca de 60g)
Peneire a farinha de trigo com fermento.
Misture a manteiga com o açúcar. Una as gemas, uma a uma. Una a farinha de trigo, alternando com o leite.
Distribua em seis formas de cupcake untadas e polvilhadas. Espalhe a groselha (5-6 unidades por forma) e o chocolate branco.
Asse à 180ºC até dourar.

Cantei parabéns, mas não coloquei velinha em cima do cupcake.

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

Pasta all'Alfredo

Prefiro pastas aos arrozes. Apesar da minha herança nipônica.


O Fettuccine all’Alfredo é um clássico italiano que reune dois ingredientes que adoro: manteiga e queijo.
O segredo desta receita tão simples é o uso de bons ingredientes. O melhor Parmigiano Reggiano que puder adquirir, uma pasta de grano duro, uma manteiga sem sal de ótima qualidade e especiarias (noz moscada e pimenta do reino) sempre moídas na hora garantem um prato espetacular.
Muitos afirmam que a receita de Alfredo Di Lelio é uma interpretação do Fettuccine al triplo burro. Será que em 1908, os cozinheiros já reinterpretavam os pratos clássicos?

Pasta all'Alfredo:
(1 porção)
125g de pasta longa (Fettuccine ou Bavette)
30g de manteiga sem sal (não economize na qualidade)
50ml de creme de leite fresco
30g de Parmigiano Reggiano ralado na hora (use o original)
noz moscada moída na hora
sal marinho e pimenta branca ou verde moída na hora
zeste de siciliano (opcional)

Cozinhe a pasta em água fervente.
Enquanto isso, aqueça lentamente a manteiga e o creme de leite. Adicionar uma pitada de noz-moscada.
Escorra a pasta al dente e misture com o creme de leite aquecido.
Una metade do Parmigiano Reggiano e misture.
Sirva imediatamente, polvilhando com o queijo restante e a pimenta verde moída na hora.

Postado por Nina Moori.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Flan de dulce de leche

Recebemos muitos e-mails de leitores do Gourmandise dizendo que a maioria das receitas aqui publicadas são um pouco complicadas de confeccionar.
Muitos já pediram receitas de doces mais simples e rápidos, sem o uso de equipamentos especiais ou ingredientes exóticos e/ou caros.
Pois bem! Hoje segue uma receita de sobremesa com apenas três ingredientes: doce de leite argentino que ganhei de E., leite integral e ovos.
Sobremesa mais fácil que esta é impossível.



Flan de dulce de leche:
260g de doce de leite argentino
500ml de leite integral
150g de ovos de galinha caipira temp. amb.
Caramelize o fundo de oito ramekins (pode usar forma de pudim) com 90g de açúcar e 18g de água. Reserve.
Aquela o leite com o doce de leite. Deixe dissolver o doce, mexendo de vez em quando.
Enquanto isso, bata os ovos rapidamente com fouet ou garfo. Verta o líquido bem quente, aos poucos, sobre os ovos, mexendo com fouet ou garfo.
Divida o líquido entre os oito ramekins ou forma de pudim caramelizada.
Asse em banho-maria à 180ºC por 40 minutos ou firmar. Toda vez que assarem em banho-maria, aqueçam a água previamente.
Esfrie e gele.
Pode-se desenformar após frio.
A minha irmã perguntou se pode substituir o dulce de leche argentino por um doce de leite nacional. Respondi que pode, mas não ficará igual. É duro, mas o doce deles ainda é melhor que o nosso.

Em agosto de 2007, fiz um doce muito parecido com este: Pudim de doce de leite.

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Veja Comer & Beber São Paulo

Ontem, aconteceu o lançamento e premiação da Veja Comer & Beber São Paulo.
F. foi ao evento e nos manteve informados sobre os vencedores.

Hot dog: Lanchonete da Cidade - sou fã do hot dog deles.
Café: Nespresso - é melhor que Starbucks.
Chocolate: Chocolat du Jour - prefiro a Arassiro.
Doceria: Dulca - não compreendi...será que nenhuma Pâtisserie concorreu?
Hamburguer: PJ Clark's - sério?! coitado dos concorrentes.
Padaria: Benjamin Abrahão - deixei de frequentar depois que o patriarca partiu. A qualidade nunca mais foi a mesma.
Salgado: Casa Búlgara - faz anos que comi algo por lá.
Sanduiche: Forneria San Paolo - correto, com ótimo serviço.
Sorvete: Vipiteno - sempre às moscas. Por que a Stuzzi não foi indicada?
Chopp: Original - não é novidade ganhar.
Cozinha de bar - Adega Santiago - os pratos são muito bons, mas já escorregaram no serviço de vinho.
Feijoada: Veloso - poderia ter ganhado na categoria "Melhor coxinha" também.
Revelação bar: SubAstor - todos já sabiam que ganharia. Esta categoria é nova? Prefiro o velho e bom Astor.
Bom e barato: Saj - tenha paciência!
Árabe: Arabia - gosto, mas prefiro Tenda do Nilo.
Cozinha brasileira: Tordesilhas - A Mara Salles sabe o que faz, respeita os ingredientes nacionais. Sem concorrência.
Carne: Varanda - só conhecemos o Magistrale.
Rodízio: Fogo de Chão - sem aquelas "aberrações-de-sushi-no-buffet" e ótimo serviço.
Cozinha Contemporânea: Mani - ainda não me conquistou. Prefiro o Sal.
Francesa: Ici - já ouvi relatos bons e ruins.
Italiano: Due Cuochi - só reafirmou pela quarta vez o que todos já sabiam.
Cantina: Pasquale - prefiro várias outras.
Japonesa: Aizome - correto, mas tenho outros preferidos.
Natural: Moinho de Pedra - adoro.
Portuguesa: A Bela Sintra - é, depois de ler relatos sobre o Antiquarius (apesar te ter sorte por lá), soube que muitos quase saíram correndo durante o SPRW.
Rápida: Rascal - atire a primeira pedra quem nunca comeu lá.
Cozinha variada: Arturito - poderia se indicado em uma categoria mais adequada.
Pizzaria: Braz - o obvio.
Alta gastronomia: Fasano - prefiro a Casa Fasano.
Melhor área ao ar livre: Sky - poderia ser categoria "melhor cozinha de microondas".
Chef revelação: André Mifano - o Marcel estava fazendo uma degustação por lá ontem...
Chef do ano: Helena Rizzo - apesar de ficar feliz por uma mulher ganhar este prêmio, não consegui entender.
Carta de vinhos: Grupo Rubaiyat - já viram o tamanho da Carta deles? Imensa. Maior é melhor?
Restauranteur: Paulo Barros - e Ida Frank, por favor.
Personalidade gastronômica: Thrassyvolos Georgios Petrakis - a alma daquela casa.

Postdo por Nina Moori.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Encerramento Descorchados Argentina

O jantar de encerramento da etapa Argentina do Guia Descorchados 2010 foi no Espacio Dolli (Dolli Irigoyen), um bonito espaço com ótima gastronomia em um lugar improvável (uma rua sem saída, escura e deserta).
Além de Patricio Tapia, Jorge Lucki, Fabricio Portelli e equipe, também estavam presentes dois enólogos de "peso": Marcelo Pelleritti (Monteviejo e Château Le Gay) e Alejandro Vigil (enólogo-chefe Catena).



Como se pode imaginar, ótima conversa, bons pratos


Morcilla com maçã
Roastbeef vinagrete de mel e cebola caramelizada
Ravioli de cordeiro com espuma de parmesão
Pancetta de cerdo braseada com cana e duo de mandioca
Pavlova com calda de maracujá, sorvete de banana e abacate e frutas vermelhas

e, claro... bons vinhos:

Dois vinhos produzidos por Marcelo Pelleritti em Pomerol: Château Le Gay 2004 (excepcional!) e Château Monteviel 2006.

Clos Figueres 2004 (um grande representante dos vinhos do Priorato e contou com assessoria de René Barbier)

Os representantes italianos do jantar: Tignanello 2005, Barolo Romirasco 2004 Aldo Conterno e Ca'Marcanda 2003.

E como não poderia faltar, os vinhos argentinos foram trazidos por Alejandro Vigil, duas amostras de vinhos que ainda não estão no mercado. Estes são os prováveis nomes: Single Vineyard Piramide 2005 (Mb, CF e PV) e Single Vineyard Angelica 2006 (100%CS).

Postado por Marcel Miwa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Conversas alheias sobre bebidas brasileiras

Filas longas. Local inevitável para escutar a conversa alheia. Mesmo que você não queira. Outro dia, acabei ouvindo o diálogo entre três senhores na fila do supermercado:

senhor 1 - "Sabia que a região do Vale do São Francisco é o maior produtora de vinhos no mundo?"
senhor 2 - "Nossa, então os nossos vinhos vão para fora e voltam com um outro rótulo? Itália, Portugal e França..." - Olhando para o rótulo de um vinho português.
senhor 3 - "Vinho bom é o de São Roque!"
s.3 - "esse povo fica dizendo que vinho tem cheiro de amora, abacaxi, madeira... vinho tem cheiro de vinho!"
s.1 - "é tudo desculpa para beber mais!"
s.2 - "e pinga?"
s.1 - "sei lá, eu não sou pé de cana...rs"
s.3 - "cachaça é melhor que pinga!"
s.1 - "é nada! Pinga é de pobre e cachaça está na moda."

Depois de escutar a conversa etílica, eu não sabia se ria, chorava ou tampava os ouvidos.

Postado por Nina Moori.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A rigor


Monteviejo foi a primeira vinícola do projeto Clos de los Siete a entrar em operação. Pertencente a Mme. Catherine Péré-Vergé, o projeto conta com a consultoria de Michel Rolland.
Estivemos em Buenos Aires com os enólogos da vinícola, Marcelo Peleritti e Adrián Manchón, que, aliás, também tomam conta da vinificação das propriedades de Péré-Vergé em Pomerol, como Le Gay, Monteviel e La Violette (apenas 2,5ha entre Trotanoy e Le Pin).
O rigor no trabalho desta equipe na Argentina pode ser notado pelas amostras que pudemos informalmente degustar. Provamos vinhos (ainda não prontos, safras de 2007 aos recém fermentados 2009) de três diferentes parcelas de vinhedos, vinhos cujas uvas foram desengaçadas à mão e à máquina, e diferentes intensidades de carvalho. Um trabalho gigantesco de profissionais cuja recompensa é merecida.

Postado por Marcel Miwa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Descorchados 2010 Argentina

Foram dois dias praticamente "presos" no hotel onde se realizaram as degustações dos quase duzentos vinhos. Pude comprovar que as degustações são realmente às cegas e põem à prova os degustadores, pois rótulos simples são intercalados com vinhos considerados tops.
Como participei da organização, provei os vinhos vendo os rótulos. Esses foram os meus destaques:

Anchaval Ferrer Finca Bella Vista 2007 (92)
Anchaval Ferrer Finca Altamira 2007 (93)
Anchaval Ferrer Finca Mirador 2007 (93)
O trio de Fincas de Anchaval Ferrer impressionam pela complexidade e elegância. Fruta, couro, tabaco e baunilha límpidos e equilibrados. Possuem um estilo mais pronto para o consumo.




Antologia XXII 2006 Rutini (91+)
Um vinho para se destacar em qualquer degustação. Talvez difícil de se beber mais que uma taça. Um vinho técnico: frutas em compota, violeta e chocolate intensos, taninos finos e bom corpo.


Catena Zapata Malbec Argentina 2005 (94)
Fruta madura, mineral e leve defumado. Elegante em boca, com frutado mais fresco, taninos muito ricos e finíssimos. Ótima acidez natural.


Cheval des Andes 2003 (91+)
Um corte de Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. A fruta (negra) é bem madura e intensa. Contribuem para a complexidade notas de chá preto e café torrado. Taninos imponentes e muito finos.


D.V. Catena Adrianna Vineyard 2003 (93+)
Os quase seis anos de descanso fizeram bem a este vinho. Conjunto bastante integrado com notas de frutas maduras, violeta, baunilha e defumado formando um todo. Textura macia e final levemente lácteo.


Mendel Finca Remota 2007 (91)
Produzido pelo enólogo Roberto de la Mota, Finca Remota é um single vineyard localizado no distrito de Altamira com Malbecs de 70 anos de idade. Textura aveludada, fruta madura e acidez natural formam o esqueleto deste vinho.



Pulenta Estate Gran Cabernet Franc XI 2006 (91)
frutas fresca intensa, corpo compacto, madeira equilibrada, rico em taninos finos.


Trapiche Iscay 2006 (91+)
Um corte de Merlot com Malbec que para muitos pode ser considerado um tanto diluído, na contramão dos concentrados Malbecs. Neste rótulo, a fruta é fresca, a acidez se destaca positivamente e os finos taninos estão presentes. Um estilo elegante.


Postado por Marcel Miwa.

sábado, 12 de setembro de 2009

Le Poème Bistrô - Restaurant Week Inverno 2009

Provavelmente é a nossa última investida no SPRW Inverno 2009. O Le Poème Bistrô é um restaurante pequeno, decorado despretenciosamente com toque cigano.

O menu de almoço (R$27,50) era composto por:

Entrada: Salada Printemps (Mix de folhas com presunto de Parma, queijo roquefort e pêra laminada) - ok


Prato principais: Filé de Pargo com vegetais salteados e cogumelos Portobello, ao molho de limão siciliano - cocção correta e muita zeste de limão.
Bombom de filé mignon ao molho Dijonnaise com batatas rústicas puxadas na salsinha - cocção correta e bom molho, mas o tamanho do filet mignon poderia ser um pouco maior. Harmonizou muito bem com o vinho que pedimos.



Sobremesa: Financier (Bolo quente de castanha de caju servido com sorvete de pistache e calda de frutas vermelhas) - se o Financier fosse confeccionado com menos açúcar, ficaria mais delicado.


Para acompanhar o nosso almoço, bebemos uma garrafa de Gevrey-Chambertin "Les Marchais" Domaine Faiveley 2006.


O "cofrinho" da doação opcional (R$1,00) do evento estava disposto no caixa. O serviço de salão tornou-se "atrapalhado" ao aumentar o número de clientes. O café foi pedido por três vezes.

Uma pena, uma viatura da polícia estar "acampada" em frente ao restaurante anotando todas as placas de carros de clientes que usaram o serviço de Valet. Ficamos em dúvida quanto à multa. Naquela rua, de duas faixas, havia uma placa de "proibido estacionar" e não uma placa de "proibido parar".

Postado por Nina Moori.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Creme (improvisado) com limão

Esta receita é dedicada a todos que dizem que o Gourmandise só publica receitas longas e complicadas.
Metade da lata de leite condensado na geladeira. Sou contra o desperdício, por isso improvisei um creminho com limão. Misturei 1/2 lata de leite condensado, 280g de leite integral, 10g (1 colher de sopa) de amido de milho, levei ao fogo, mexendo sempre até ferver e engrossar levemente. Fora do fogo, acrescentei suco de 1/2 limão (mexa rapidamente para não talhar) e uma micro gota de extrato de violeta. Coloquei em xícaras de café e levei à geladeira.


Não é nenhum primor da Pâtisserie, mas "quebrou o galho".

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Ostras frescas, camarões secos e dendê

Acredito (e meu estômago também) que ostras frescas devem ser consumidas in natura, acompanhadas apenas por opcionais gotinhas de limão. Fiquei surpresa com o sabor do limão rosa sobre as três dúzias de ostras frescas. Melhor que o limão Tahiti.


Harmonizamos as ostras com Champagne Möet & Chandon, Salton Évidence e Chablis Grand Elevage Verget 2004.




Devo ter arregalado os olhos assim que vi o tamanho dos camarões secos na casa de F. Imensos.
Vindos diretamente de Salvador, estes camarões secos eram carnudos, sem cabeça, vermelhos e grandes. E eu acostumada/conformada com aqueles camarões secos pequenos, escuros, com cabeça e extremamente salgados do mercado paulistano.
Os camarões entraram na lista de ingredientes da Farofa, junto com a farinha de mandioca e o azeite de dendê. Ingredientes legitimamente baianos. Esta super Farofa escoltou a Moqueca de peixe e camarão (cozida em panela de barro).



A Moqueca foi muito bem harmonizada com o Macon La Roche-Vineuse 1996 Domaine du Vieux Saint-Sorlin.


A Bavaroise de Lúcuma, publicada aqui, foi a sobremesa daquele "almojantar".

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.