terça-feira, 31 de março de 2009

Grenoble

Uma das tartes sucrées que mais gosto de confeccionar. Simples e saborosa: pâte brisée e caramelo com nozes.

Grenoble:
Massa (pâte brisée):
200g de farinha de trigo
1g de sal marinho
27g de gema de ovo caipira
124g de manteiga sem sal gelada em cubinhos
27g de água gelada
Misture os ingredientes secos. Una a manteiga e misture com a ponta dos dedos até obter uma farofa. Una as gemas e água. Não trabalhe a massa em excesso. Embrulhe e gela por 30 minutos.
Abra e cubra fundo e laterais de uma forma de 18-20cm de diâmetro. Fure, forre com filme plástico, complete com feijão cru e asse à 190ºC por 10 minutos. Retire o feijão (e filme plástico) e volte ao forno por 7-10 minutos. Esfrie na forma.

Recheio (caramelo de nozes):
120g de açúcar refinado
120g de creme de leite fresco
120g de nozes sem casca
Faça um caramelo em fogo baixo. Una o creme de leite quente com cuidado e misture até dissolver. Fora do fogo, una as nozes. Misture, esfrie e gele. Este caramelo pode ser armazenado em geladeira por três dias.
Espalhe sobre a massa pré assada. Leve ao forno à 190ºC por 15-20 minutos ou firmar. Esfrie e desenforme.
Se desejar, pincele uma fina camada de geléia de brilho.



Esta torta foi preparada para presentear J.

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Vinho peruano


W. trouxe uma garrafa do vinho Tacama Blanco de Blancos 2008. A Nina acabou não degustando o vinho porque estava resfriada.
Resultado do corte das variedades Sauvignon Blanc, Chardonnay e Viognier, este vinho apresentou aromas limpos de pêra, maçã, flores brancas, alguma mineralidade e ótima acidez que torna o conjunto bastante vivaz. Apenas uma ressalva para teor alcóolico, que está um pouco acima do conjunto. Uma boa surpresa que deve harmonizar com a gastronomia litorânea daquele país.
A vinícola situa-se no Valle de Ica e goza de uma condição climática semelhante ao Valle de Casablanca no Chile, com forte influência das correntes do Pacífico.

Postado por Marcel Miwa.

domingo, 29 de março de 2009

Killa

Semana passada fomos conhecer o restaurante andino na companhia de D. e F.
O site do Killa informava apenas o endereço, mas nenhum número de telefone (site reformulado). Tentamos a sorte, caso estivesse fechada ou lotada, partiríamos para o plano B.
Uma casa bem pequena (cerca de oito mesas - incluindo as externas) com ambiente clean.


Ofereceram shot de Pisco Sour logo que nos sentamos.


Esquecemos de anotar os nomes e descrição completa dos pratos.
De entrada, dividimos o tiradito Callao à base de peixe branco e o Ceviche tradicional. Os peixes e frutos do mar estavam frescos, com acidez equilibrada e boa picância.




Os pratos principais que pedimos: peixe Bonito (envolto em bacon), Coração de frango com bacon marinado, Malaya (filet com molho de vinho tinto) e Risotto papas secas (de batata seca com medalhão - interessante a textura das batatas desidratadas). Todos os pratos estavam bem apresentados, com cocção correta dos ingredientes e equilibrada picância.






Sobremesa: Parfait de banana com canela, manga com gengibre e morango com majericão guarnecido com coulis de frutas vermelhas, vodka e pimenta togarashi (delicioso). Raro um Parfait no Brasil com a textura correta, como esta sobremesa.



Acompanhamos com uma garrafa de Clemens Busch Riesling Kabinett Trocken 2006 (levamos de casa), que harmonizou bem com as entradas e os peixes. A ótima acidez e a mineralidade deste vinho biodinâmico do Mosel encontraram um bom par com esta cozinha.



O serviço da casa é atencioso, mas ainda está precisando de ajustes, principalmente quanto ao timing. Mostraram ciência em relação a este fato.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

sábado, 28 de março de 2009

Flan de lúcuma

Sabem o que é lúcuma? A primeira vez que ouvi falar neste ingrediente foi conversando com a chef pâtissière Kiki Felipe. Ela estava descrevendo os raw-chocolates que uns amigos ingleses estavam produzindo. Disse que eles usavam lúcuma para flavorizar os chocolates - fato que me deixou intrigada. A lúcuma é uma fruta andina e eu só soube da sua existência porque dois ingleses resolveram produzir ótimos chocolates. Seria globalização ou uma reafirmação de que os brasileiros só valorizam o que o primeiro mundo (ainda existe este termo?) aprova? Tudo bem, um pouco radical este pensamento.
Nosso amigo W. viajou para o Peru e perguntou se queríamos algo de lá. Amigos, aprendam, nunca perguntem isso para o Marcel e para a Nina se realmente não estiverem dispostos a carregar bagagem mais pesada. Nós sempre queremos algo...
Ele trouxe um Chocolate em barra para fazer chocolate quente, um preparado para Flan de lúcuma, Lúcuma desidratada (sim, agora preciso concentrar o pouco que sei sobre confeitaria para utilizar este ingrediente em algo especial, que mostre o sabor da lúcuma) e um vinho branco peruano (que ficará para outro post).


Postado por Nina Moori.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Keep walking club degustação



Fui convidado para uma degustação do Keep Walking Club pelo amigo M.
Apesar do atraso de quarenta minutos, o evento foi bastante interessante, com muito espaço para Networking.
O tema era baseado na identificação de alguns dos aromas do Johnnie Walker Black Label através da harmonização com alimentos. No caso, Frutas frescas - canapé com compota de abacaxi, Frutas encorpadas - damasco seco recheado com pasta de passas, Creme de baunilha - vol-au-vent com crème pâtissier e Aromas da terra - canapé de salmão defumado.




Bem, tecnicamente, o alimento "apaga" seu aroma correspondente no whisky, uma vez que o sabor do alimento era muito mais intenso que o aroma da bebida. Ainda assim, este formato de degustação permite que as pessoas identifiquem as diversas naturezas de aromas que podemos encontrar em um whisky.

Postado por Marcel Miwa.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Dhal de ervilha

Dhal é um cozido indiano à base de leguminosas (como lentilhas negras, vermelhas, verdes, grão de bico, feijão branco, etc). É fonte de proteína, principalmente para os ovo-lacto-vegetarianos. Pode ser acompanhado de chapati, naan ou arroz.


Refoguei cebola e alho em ghee, uni gengibre fresco, folhas de limão kaffir e curry, sementes de coentro e cominho (pulverizadas), páprica doce, ervilhas (usei as secas, lavadas e hidratadas por trinta minutos em água fria), água quente, sal, melado de cana e suco de limão. Cozinhe com calma, em fogo baixo.

Postado por Nina Moori.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Uma guloseima

Postado por Nina Moori.

12ª Harmonização Virtual

O Claudio imaginou a receita, a Nina aperfeiçoou a idéia e Marcel escolheu as bebidas que vão acompanhar um inusitado Risotto de Feijoada em nossa 12ª harmonização virtual. Além de contar com uma receita criada a quatro mãos, esta harmonização será a primeira com dois vinhos diferentes para o mesmo prato: um espumante rosé e um tinto Tannat, ambos nacionais.

Se você também quiser colocar em prática a receita e ver como ela se sai com os vinhos escolhidos, envie seu e-mail para a gente, para que possamos lhe enviar a receita e a indicação dos vinhos. Nossos e-mails são: levinaublog@gmail.com, o do Le Vin au Blog, e gourmandisebrasil@hotmail.com, o do Gourmandise.

Para quem está chegando agora aos nossos blogs: esta é a 12ª edição da harmonização virtual, que funciona mais ou menos assim: nós, do Le Vin ao Blog e do Gourmandise, sugerimos uma receita e um vinho e passamos essas informações para quem nos pedir. Depois, cada um faz a harmonização em casa e os resultados são publicados nos blogs – se alguém quiser publicar e não tiver um blog, pode usar os nossos.

Desta vez, os comentários serão publicados no dia 7 de abril.



Participe!

* Quanto à Rafaela, para que ninguém ache que ela não fez nada, ela escreveu este convite.

terça-feira, 24 de março de 2009

Marajá



Esta casa, indicada por D. e E., serve uma das feijoadas mais saborosas de São Paulo. Localizada no Centro (Rua Martins Fontes, 153), ao lado da padaria de mesmo nome, o Marajá costuma ficar lotado aos sábados.
A feijoada (a pequena é suficiente para duas pessoas) vem fumegante à mesa acompanhada de bisteca de porco grelhada, couve manteiga refogada, arroz, farofa e molho de pimenta.



Só não peça a caipirinha da casa, o limão estava tão macerado que amargou e turvou a bebida. Prefira um chopp gelado.

Postado por Nina Moori.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Crème au chocolat et violette

De repente notei que havia muito chocolate em casa. Não sei o que acontece, acho que comprei muito chocolate de uns tempos para cá e esqueci de consumir. Pode ser culpa do calor.
Abri a geladeira e notei que ainda havia um pouco de creme de leite fresco.
Queria usar aquela essência de violeta.
O que fazer para unir tudo? Algo bem simples, um crème au chocolate et violette.



Crème au chocolat et violette:
40g de água (I)
8g de gelatina em pó incolor
190g de chocolate amargo ou 1/2 amargo picado
210g de água (II)
40g de açúcar orgânico
100g de creme de leite fresco montado
1tsp de essência de violeta
Hidrate a gelatina na água I. Reserve.
Aqueça a água II com o açúcar até dissolver. Retire do fogo.
Quando este xarope chegar à 40ºC, una a gelatina e misture para dissolver.
Acrescente o chocolate e misture bem. Una a essência.
Deixe este creme esfriar (até obter consistência de clara de ovo crua) e incorpore o creme montado.
Gele em potinhos até firmar.

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

domingo, 22 de março de 2009

Flor de sal aromatizada

Sem sal a comida não mostra todos os seus sabores.
Mas com a flor de sal, a comida ganha vida. O paladar alcança patamares incomuns. Seus aromas puros, quase violáceos, às vezes com nuances oleaginosas e iodado naturalmente (é retirado à mão, da primeira camada da salina). É o mais completo e saudável sal.
Degustamos na casa de F. flores de sal aromatizadas:

Fumée de sel (defumado com carvalho de barricas de Chardonnay - degustado sobre ovos cozidos)

Black Lava Salt (retirado de bacias formadas por lavas no Havaí, recebe uma camada de carvão ativado - degustado sobre pâté de foie gras e acompanhado por uma taça de Sauternes)


Truffée (um clássico que dispensa apresentações - degustado sobre ovos e batatas cozidas)

Velvet de Guérande (super delicado - degustamos sobre ovos e batatas cozidas - degustados sobre ovos e batatas cozidas).
Postado por Nina Moori.

sábado, 21 de março de 2009

Porto Krohn LBV 1985


Inexplicáveis estas gratas surpresas. Indo contra todas as regras, abrimos este LBV com mais de quinze anos na garrafa. E qual foi a surpresa? Frutado elegante, floral, textura aveludada e ótima acidez tornando-o muito harmônico.
Harmonizou bem com os charutos daquela noite.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ovo de avestruz


Um ovo de avestruz equivale (em média) à vinte ovos de galinha. É muito ovo!
E para abrir esta imensa maravilha da natureza foi necessário uma faca e um martelo.


A. fez ovo mexido (temperado com um mix de temperos sul africanos) e serviu como entrada no jantar. Quando ficou pronto, os convidados ficaram olhando, sem muita coragem para experimentar, esperando alguém se habilitar para degustar primeiro.



O aroma e sabor são mais suaves que os ovos de galinha ou pata.
P.S. Este ovo de avestruz veio diretamente da África do Sul.

Postado por Nina Moori.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Polenta bianca con ragù di funghi secchi

A polenta branca tem o sabor mais delicado que a polenta comum. Achei que ela combinaria com um ragù de cogumelos (ou até com bacalhau).
Bacon brunoise salteado em manteiga, muita cebola brunoise (duas grandes), 100g de funghi secchi (previamente hidratado por trinta minutos em água morna com uma colher de chá de açúcar mascavo - reserve este caldo), uma colher de massa de tomate, quatro colheres de Marsala secco, o caldo do cogumelo e um pouco de água quente. Fogo baixo por trinta minutos. Um pouco de sal marinho.
A polenta branca (uma medida) foi cozida com creme de leite fresco (uma medida) e água (três medidas) e finalizada com manteiga orgânica e sal.
Tudo bem quente com muito Peccorino ralado por cima.

Postado por Nina Moori.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Restaurant Week - parte III

Terceira e última parte da publicação sobre a quarta edição do São Paulo Restaurant Week.

No Casinha de Monet Bistrô pedimos: Tomate de Monet de Rúcula - tomate recheado com rúcula picada, aliche, mussarela ralada, temperadas com mostarda francesa, molho inglês e gratinado com parmesão (um pouco salgado), Tranches de Palmito - palmitos acompanhados de mussarela de búfala, tomates e chifoneds de kani kama (não sei se Tranche seria o melhor nome para este prato - normalmente Tranche refere-se a um dos usos da massa folhada ou a pranchas quentes de pedra ou ferro. O termo chiffonade é usado para folhas, o corte usado foi julienne), Filé ao Brandy - steak de filé mignon, servido com molho brandy, laranjas kinkans carameladas, acompanhado de risoto de figos secos e queijo brie (a carne estava com cocção perfeita, mas o risotto estava morno), Risoto de Bacalhau e Azeitonas (o arroz estava mole, poderiam usar azeitonas de melhor qualidade - daquelas chilenas gordas e suculentas e ainda não consigo assimilar bem esta mistura de peixe e frutos do mar com queijo parmesão), Suflê de goiaba com calda de queijo (receita do Carlota, um dos soufflès chegou perfeito, com aquele chapéu, o outro estava abaloado) e Profiteroles de Pão de Mel (o pão de mel estava gostoso - creio que o pão de mel seja um dos produtos chefs da casa).








No Empório Santa Maria: Caprese Com Bufalina (que harmonizou bem com Esporão branco Private Selection 2007), Quarteto Brusqueta - mortadela italiana Stella, pistache e pesto de Hortelã, presunto Parma com geléia de mostarda,figo e canela, queijo Camembert com manteiga trufada e baby rúcula e bufalina com presunto Royale e molho de tomate clássico (sua explicação era uma explanação - mais sabores que o paladar consegue captar), Pizzoli recheado de abóbora ao molho de manteiga, sálvia e pinolis (a massa estava grossa e faltou tempero no recheio - a sálvia e o pignole harmonizaram muito bem com Bourgogne blanc Domaine Leroy 1997), Um ar parisiense - Clássico filé au poivre vert com mil folhas de batata gratinada (não seria o Filet au poivre com Gratin dauphinois?, bom prato, mas o molho era daquele em pó para cozinha industrial - harmonizado com Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2006, um belo vinho), Merengue de morango (harmonizado com Porto Quinta do Crasto LBV 2002) e Manga flambada com vodca (sem o sorvete ficaria melhor). A Enomatic melhorou muito o jantar.









No Odeon degustamos: Moules Marinieres (excelente), Salada Oriental - broto de agrião, bifun com leve toque de curry, lulas vinagrete e mix de pimentos & molho thai (coreto, mas não entusiasmou), Siwa - tajine de paleta de cordeiro lentamente cozida em panela de barro com especiarias e ervas, mini legumes & arroz de gengibre (não retiraram aquela glândula que libera um odor desagradável e a carne estava ressecada e rígida demais - a descrição parecia melhor que o prato), Dona Nena - parfait de frutas vermelhas & Chantili de iogurte e hortelã (uma sobremesa bonita, mas com textura e sabor prejudicados - parfait deve ser servida bem gelada ou congelada, esta estava quase na temperatura ambiente, como uma mousse mais gordurosa) e Seu Saulo - abacaxi grelhado com calda de cardomono & sorvete de canela (poderia ter mais abacaxi e menos sorvete).







Notamos que ainda hoje, muitos restaurantes não conseguem executar um bom serviço com a casa lotada. Alguns pratos bons, outros péssimos. Nenhuma sobremesa memorável. No geral, reinou a irregularidade. Achamos curiosa a terminologia utilizada em vários menus, nomes rebuscados para pratos simples ou o uso de termos da gastronomia utilizados sem critério.
Ainda assim, extremamente válido a iniciativa deste evento. Certamente conhecemos restaurantes que visitaremos mais vezes em virtude do menu e serviço apresentado no Restaurant Week (ou weeks).
Agora faremos uma pausa para perder as calorias ingeridas...

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.