sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dalva e Dito

Este é o novo empreendimento do chef Alex Atala em parceria com o chef Alain Poletto.
A fachada do restaurante é discreta e não possui o nome da casa na entrada (exceto num banco de pedra - que não é possível enxergar quando passamos de carro) - pensamos no Kassab.
Chegamos cedo e resolvemos aguardar uma amiga no bar, no andar inferior. Com celular na mão, caso ela ligasse, percebemos que não havia sinal no recinto. O garçon disse que celular só tinha sinal até as escadas do bar. A decoração do bar era baseada em temas brasileiros, com muita madeira. As luminárias da grande mesa central recordaram as lojas de lustres da rua da Consolação.




Lemos o menu do bar e escolhemos o Sandwich de pernil (o pão um pouco crocante demais, mas estava bom - ainda perde de longe para o pernil do Estadão, fatiado pelo Amaral).



Pedimos a Carta para dar uma olhadinha enquanto esperávamos F.
A Carta de vinhos demorou uns 15 minutos para chegar no bar, mas a sua montagem nos deixou felizes, repleta de vinhos nacionais. Apesar de não sermos cegos defensores dos vinhos nacionais, achamos condizente com o tema do restaurante.
No restaurante (pé direito alto), sentamos em uma mesa ao lado da parede de vidro da cozinha.
O Couvert composto por pasta de feijão preto, manteiga Aviação, berinjela com jiló, uma pastinha defumada e pães (milho e Campagne) estava bom.
O garçon veio nos mostrar a Carta de vinhos. Rimos "por dentro" - no bar ela demorou tanto a chegar e na mesa, veio antes do Menu.



Pedimos dois pratos: a Sela de cordeiro (descrita para duas pessoas) e a Galinha d'Angola (descrita para duas pessoas) acompanhadas por Batatas e Ratatouille do Sertão. Imaginamos que se não pedíssemos entrada, seria a quantidade certa para três comensais. Nos enganamos, serviria quatro comensais.
A Sela de cordeiro estava perfeita, no ponto certo (mal passada), macia, saborosa e com gordura dourada. Acompanhada pelas Batatinhas sem graça e com preço alto em relação à quantidade servida (umas 7 unidades cortadas ao meio).




A Galinha d'Angola chegou em uma panela com a tampa lacrada (massa de farinha) que ao abrir, surpreendeu até mesmo o garçon (que disse: Grande, né?!). Foi trinchada perfeitamente no guéridon e servida com demi-glace (assim como a Sela). Estava saborosa e tenra. Guarnecida pelo Ratatouille do Sertão, que estava al dente, mas que me deixou um pouco decepcionada (achei que teria sabor mais intenso).



Acompanhamos o jantar com Angheben Barbera 2007.
A sobremesas ficaram para outra ocasião.
Nossa amiga F. ficou estarrecida ao observar uma das cozinheiras no fogão. Com a mesma reluzente colher, ela degustava (os molhos e arroz) e cozinhava. Limpava no pano à cintura e guardava no bolso lateral da dolman. OK, sabemos que isto ocorre em todos os restaurantes, mas observar tudo isso através da parede de vidro é outra história. Ainda bem que F. só reparou no detalhe após a refeição.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

Restaurante Vittoria

Localizado em um Complexo no bairro do Butantã (Vila do Jardineiro - recebeu este nome porque antes havia um centro de jardinagem no local), este restaurante é especializado em cozinha italiana.
O local e ambientação eram bem simples. Rústicos, como o menu.




No couvert, o pão recheado com escarola estava bom, mas o recheado com embutido estava gorduroso demais (e frio).



Pedimos o Torteli de vitelo com molho de laranja (a massa estava um pouco grossa e ficaria melhor al dente, mas o recheio e molho estavam bons) e Ragu de ossobuco com polenta (bom).
O menu de sobremesa não me empolgou.




A carta estava decepcionante. Havia lido em uma revista que poderia pedir ao sommelier ou maître a carta do restaurante vizinho (Cabaña del asado), mas quando solicitei, responderam que só era possível no jantar. Pedi uma taça do tinto, chegou super gelado (e mesmo assim "sobrava álcool").
Longe demais...

Postado por Nina Moori.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Geléias de frutas tropicais

Meu ex-chef chamaria estes doces de geléias de frutas exóticas. Lembro de um episódio em que ele havia montado uma nova Charlotte para a pâtisserie decorada com abacaxi, manga, kiwi e acerola. Pediu que os funcionários degustassem e dessem sua opinião. Eu disse que estava muito bonita e saborosa (não me recordo qual era o sabor do creme), mas que o nome Charlotte Exotique ficaria perfeito na França (e que no Brasil estas frutas não eram exóticas).
Fiz estas geléias para presentear uma pessoa que mora longe. Espero que ela goste.



Geléia de abacaxi:
600g de suco de abacaxi (processe 700g da fruta fresca e madura e coe)
300g de açúcar orgânico
220g de suco de maçã ácida (processe a fruta e coe)
5g de suco de limão
Leve tudo ao fogo baixo. Cozinhe escumando a espuma que se forma. Deixe reduzir até ponto de geléia.

Geléia de manga:
286g de manga madura (cerca de 1 unidade)
75g de suco de maçã ácida
140g de açúcar orgânico
2g de suco de limão
Processe a manga com açúcar. Una os demais ingredientes e leve ao fogo baixo. Escume a espuma. Deixe reduzir até ponto de geléia.

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Caroline Chocolat

Cheguei a passar na frente desta bomboneria porteña (Calle Marcelo T. de Alvear, 990. Centro) três vezes antes de entrar. Pensei: Vou deixar para o último dia de viagem e levar para São Paulo.
Nesta pequena casa, uma loja bonita e moderna (me lembrou essas lojas super iluminadas que vendem óculos de Sol), a vendedora atenciosa me explicou sobre os produtos. Disse que os bombons eram confeccionados com chocolate importado. Aqui no Brasil, provavelmente diriam que o chocolate é belga/suíço.
Escolhi a caixinha para nove unidades: Crocante higos secos (bom), Crocante tomillo (erva equilibrada, mas sem presença do crocante), Lavanda (trouxe dois - a flor estava um pouco exagerada), Japanese matcha green tea (suave demais), Crocante cilantro (faltou crocante e o coentro estava muito discreto), Azafrán canela (parecia cúrcuma e na hora que degustamos nem lembrei da canela), Hinojo (o meu preferido) e 4 berries andinos (feito com redução, na medida certa).
Quando abri a caixa de chocolates, li o ótimo folheto explicativo que indicava cada bombom e sugeria armazenar a caixa fechada com filme plástico na geladeira (e retirar 1 hora antes de degustar) por até oito dias.
Foi a segunda vez que degustei chocolates gourmets argentinos. A chocolateria Tikal ainda é minha preferida (o acabamento dos bombons era mais delicado, sem emendas).



Outro dia, durante uma aula, foi levantada a questão sobre com quais sabores a semente de coentro combinava. Achava que o casamento com chocolate seria estranho, mas mudei de idéia (preciso expandir meus horizontes e de muita parcimônia, sempre). Quem sabe num creme de chocolate ou ganache.

Postado por Nina Moori.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Kebab Salonu

Este tipo de comida está na moda. Será que os paulistanos substituirão o temível temaki pelo kebab? Apesar dos tropeços das casas especializadas nesta iguaria (kebab), faço pensamento positivo para que isto ocorra.
Esta casa foi considerada um bom e barato. Mas gastamos mais de R$100,00 em duas pessoas, sem bebida alcóolica e sobremesa. São Paulo tem vários outros restaurantes que servem sanduiches por um preço mais acessível.


Pedimos: Chelo kabab (o chenjeh de cordeiro estava um pouco ressecado e o arroz cru ou crocante em demasia), Kebab de falafel (muito bom, melhor que aqui) e Kebab de linguiça de cordeiro (muito bom).





O café turco não manteve a mesma qualidade nas duas vezes em que estivemos na casa. Na segunda vez, chegou à mesa com creme (espuma) ralo.



O número de garçons (de belo traje) era insuficiente para todos os clientes. Precisamos gesticular muito para ser atendidos.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Gelatina de mel e café

Gelatina de mel:
360g de água
2g de especiarias (pimenta da Jamaica, cravo, cardamomo e anis estrelado)
30g de açúcar orgânico
3,5-4g de agar-agar
20g de Krupnikas (licor de mel)
Faça uma infusão com 180g de água e especiarias. Esfrie.
Aqueça 180g de água, açúcar e agar-agar. Quando ferver, abaixe o fogo e cozinhe por 3 minutos. Amorne e una a infusão de especiarias e o Krupnikas.
Coloque em uma terrine forrada com filme plástico (umedeça para aderir o filme). Gele por 10 minutos ou firmar levemente.

Gelatina de café:
180g de café forte e frio
180g de água
30g de açúcar orgânico
3,5-4g de agar-agar
20g de licor de café
Aqueça a água com açúcar e agar-agar. Quando ferver, abaixe o fogo e cozinhe por 3 minutos. Amorne e una o café e o licor.
Verta com cuidado sobre a gelatina de mel.
Gele por uma hora e meia ou firmar bem. Desenforme, retire o filme e sirva em cubos.
Ficou sem foto. Preciso me policiar e ser mais metódica.

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Postado por Nina Moori.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ristretto ou curto?

A pâtisserie Pain et Chocolat serve delicados docinhos e pães saborosos, mas o café deixou a desejar.
Ao pedir um ristretto, o garçon retrucou com a pergunta: Um espresso curto?
Embora, tecnicamente, um ristretto deva ser servido com 20ml e um curto com 35ml (e a diferença não se restringe apenas a quantidade), acreditei que seria a minha melhor opção, o curto.

Postado por Nina Moori.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Oeufs en cocotte

dois ovos caipiras, pouco creme fresco, flor de sal com ervas e toque de azeite... só necessita de uma fatia de pão.

Postado por Nina Moori.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Clos du Tue-Boeuf La Caillère 2004


Trata-se de um vinho 100% Pinot Noir, produzido no Loire, de forma natural. Um grande exemplo de como a delicaza e a intensidade podem se casar em um vinho. Realmente muito bom.
Não o compararia com nenhum Bourgogne. Cada um com sua tipicidade.
Este vinho foi alvo de um dos comentários/descrições mais curiosos/emotivos que já ouvi (como se pode notar tive dificuldade em classificar o texto que segue): "... e vestido como se fosse uma seda, como se fosse um cetim no ombro de uma diva de Hollywood dos anos 56. Isso aqui é uma coisa daqueles filmes em preto e branco, aquelas coisas acetinadas em ombros alvos de divas do cinema...”
Renato Machado (no programa Menu Confiança, sobre este vinho)



Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Flan aux marrons

Um pote de crème de marrons aberto na geladeira. O que fazer? Para fazer mousse, não tinha creme fresco o suficiente. Para rechear uma torta, teria que fazer e assar uma pâte. Será que daria certo unir ovos, leite e um pouco de creme de leite?

Flan aux marrons:
240g de crème de marrons e baunilha
50g de açúcar demerara claro
100g de ovos caipiras
150g de leite integral
100g de creme fresco
Misture tudo com fouet. Coloque em forma de bolo inglês untada com manteiga.
Asse em banho-maria por 45 minutos. Esfrie, gele e desenforme.
Sirva com um caramelo de baunilha (30g de vanille, 50g de açúcar demerara claro ou orgânico e 120g de água).

O flan ficou com textura e sabor delicados. Sem foto, novamente.

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Postado por Nina Moori.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Hokkaido Ikura

Uma daquela encomendas que dão trabalho. Durante mais de vinte e quatro horas de vôo, não pode agitar muito, deve ser mantido resfriado e, passar discretamente pela revista.
Mas o sabor e a textura valem a pena. Pérolas que explodem na boca, emanando muito sabor.

Postado por Marcel Miwa.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Clos du Tue-Boeuf Frileuse 2005


Composto por 40% de Sauvignon Blanc, 30% de Chardonnay e 30% de Sauvignon Gris, é um dos vinhos que pertence à categoria de Vinhos Naturais. Isto é, além de não se admitir a utilização de insumos químicos (cultivo orgânico) nos vinhedos, a vinificação segue este mesmo princípio; as leveduras utilizadas são apenas aquelas que já se encontravam nas cascas das uvas e nem mesmo SO2 é utilizado.
Bem, e o que isto muda no aroma e sabor do vinho? O que podemos dizer é que muda bastante. O aroma de amêndoas lembrando um Fino, mel, floral e algo mineral. No paladar, notas de levedura e acidez marcante.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

Folhas de amoreira branca


Infusão de folhas de amora branca. Aroma e sabor delicados. Made in Korea.

Postado por Nina Moori.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pasta e Bottarga



Penne al dente salteado em azeite e alho. Polvilhado com Bottarga ralada (já havíamos escrito aqui sobre a versão nipônica dela) e flor de sal de Camargue. Acompanhado por Clos de Tue-Boeuf Frileuse (um vinho natural que está entre os meus preferidos) e Anthìlia branco (harmonizou bem com a pasta).



Postado por Nina Moori.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Yaki karinto


Mais um snack japonês.
Um tipo de biscoitinho frito à base de farinha de trigo, açúcar, fermento químico e água que pode ser flavorizado com gergelim branco ou negro, amendoim, shoyu e miso. Quanto ao formato, pode variar entre bolinhas grandes, bolinhas médias, tirinhas fininhas e grossas.
A versão da foto é "rolada" em açúcar mascavo depois de frita.

Postado por Nina Moori.

livro Comida e Vinho - Harmonização essencial

Agradecemos a todos os leitores que compartilharam conosco a sua melhor harmonização enogastronômica.
Ficamos felizes em constatar que (a maioria) os participantes narraram sobre uma refeição em boa companhia, para comemorar uma data importante ou a lembrança de uma viagem inesquecível. Afinal, uma boa refeição se constrói não apenas com alimentos e bebidas espetaculares, mas também com um ambiente agradável.
O vencedor do sorteio receberá uma edição do livro Comida e Vinho - Harmonização essencial, escrito por José Ivan Santos e José Maria Santana.
O sorteio foi feito através do Random (o número 1 era equivalente à primeira participação que recebemos - e assim por diante).
O vencedor foi...



Tiago Ribeiro!

E a sua harmonização enogastronômica:

"Primeiro, é fundamental que se diga: um momento inesquecível em torno de um prato e de uma garrafa de vinho não existe sem a pessoa amada ao lado, ou amigos, ou família, em um momento de comunhão, de risos e de paz de espírito. Isto posto, quero dizer que minha harmonização inesquecível foi simples e muito sofisticada ao mesmo tempo: eu e minha noiva, batatas pequeninas assadas al dente, com a pontas cortadas, parte do miolo retirado, recheadas com creme azedo e caviar (caviar mesmo), com uma garrafa de Bollinger Grand Année Brut 97, numa tarde linda e fria de Praga."

Entraremos em contato via e-mail.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Bolo de café e Amaretti

Esta receita ficou sem foto. Simplesmente não lembrei de fotografar.
Quando viajamos para Serra Negra, trouxemos uma grande quantidade de café. Sei que não é correto armazenar café e que seria melhor sempre adquirir em porções pequenas. Mas raramente vou para aquela cidade...
O importante agora é dar conta de tanto café. Além do café de todas as manhãs, preciso arrumar uma maneira de consumir este ingrediente.

Bolo de café e Amaretti:
100g de ovos caipiras
90g de açúcar orgânico
115g de farinha de trigo
1,5g de fermento químico
0,5g de sal
65g de café forte frio (fiz um café com 100g de água e 3tbsp de pó de café)
45g de manteiga derretida
65g de Amaretti esmigalhado
Bata os ovos com açúcar por 10 minutos. Incorpore (com espátula) os secos, previamente peneirados juntos, alternando com o café frio.
Una a manteiga em duas etapas, misturando com delicadeza.
Em forma (18cm de diâmetro ou quadrada) untada e forrada com papel manteiga, alterne camadas de massa crua e Amaretti esmigalhado.
Asse à 190ºC.



Degustamos puro, mas acho que ficaria interessante servir com uma colherada de nata fresca.

Já estou listando receitas de Pão de café, Mousse de café, Molho de café, Biscoitinhos de café...
Sugestões serão aceitas com alegria!

Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Nina Moori.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dragon fruit


"Lembrei de você quando vi esta fruta!"
Foi a frase que escutei de uma aluna ao me presentear com a pitaya. Perguntei qual era a maneira de consumir e que sabor tinha. Ela não sabia.
Escreveu dizendo que havia pesquisado e encontrou que a dragon fruit é rica em vitamina c, ferro, cálcio, fósforo, potássio, suas sementes ajudam na digestão e em sua polpa é encontrada uma substância calmante. A fruta vendida no Brasil vem da Ásia, Austrália e, na América é cultivada pela Colômbia, Bolívia, Paraguai, Equador e Peru (parece que no Brasil não obtiveram sucesso - clima?).


Experimentamos in natura, geladinha. O sabor é delicado, com acidez presente (não excessiva) e a textura me recordou o kiwi.
Imaginei fazer um sorbet com pouco açúcar, para preservar a delicadeza.

Postado por Nina Moori.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mi Buenos Aires querido...

Todo paulistano que visita Buenos Aires acaba fazendo comparações entre a cidade hermana e a capital de São Paulo. Eu não escapei desta sina...
Buenos Aires possui menos trânsito, a cidade é plana, o centro possui prédios conservados e é um pouco mais seguro e limpo, não possui motoboys e a maioria dos bairros são arborizados (que fique registrado que não visitei o subúrbio). Normalmente, os porteños vestem-se de maneira elegante, mas aquele ar esnobe escapava de vez em quando.

Obelisco

Caminito


Puerto Madero





Mas são mais machistas que os paulistanos. Em todos os taxis que peguei, o motorista não prestava atenção quando eu direcionava o endereço, só escutava o homem que nos acompanhava (isto quando esquecia de ligar o taxímetro ou tentava errar o troco - mas esta questão não engana um brasileiro!). Nenhum garçon (restaurantes simples e chiquérrimos) ofereceu-me para degustar os vinhos que pedi, sempre os homens da mesa que degustavam (pensei: Nina, você não está na sua cidade, respire fundo - deixe para escrever no Gourmandise).

O que degustei? Ótimas saladas (tive a impressão que consomem mais saladas que a maioria dos paulistanos), carnes saborosas (outras nem tanto), muito sorvete/sorbet, cafés aguados e nenhum vinho bacana (é verdade que não queria gastar com vinhos em restaurantes). O clima da maioria dos restaurantes era o de um bistrot.

No Arturito (Av. Corrientes, 1124), experimentamos o Pâté de fígado no couvert (muito bom), Asado de tira (excelente), Cazuela de calamares (correto) e Sorbete de limon com espumante (era refrescante, mas confesso que nunca pediria algo do gênero em São Paulo - entramos no clima). Acompanhamos com a argentina Quilmes (aguada).






No La Rienda (Calle Paraguay, 716), experimentamos: Salada mista, Bife de chorizo com purê de calabaza (carne ótima - os purês eram apenas legumes cozidos e amassados com pouquíssimo sal), Bife de chorizo mariposa (ótimo), Brochette de filé mignon e frango (bom), Chorizo mariposa (bom), Malma Malbec 2007 (alcóolico), Trumpeter Malbec 2006 (frutinhas vermelhinhas), Panqueques de manzana y dulce de leche (quem pede uma sobremesa destas já sabe que será super doce) e Don Pedro (sorvete, nozes e whisky - outra sobremesa que jamais pediria no Brasil).









No Lola, escolhemos Ravioli de pato com salada de rúcula (correto), Bruschetta de Parma (muito bom), Pescada grelhada com legumes (delicioso) e Lomo de cordeiro com batatas (bom), Parfait de pêssego (bom), Sopa de amora com sorbet de menta.








No Los Chilenos (Calle Suipacha, 1024), experimentamos: Cazuela de calamares (ok), Mero com arroz de açafrão (peixe sem sabor e parecia cúrcuma ao invés de açafrão no arroz) e Queijo de cabra com melado de cana (o queijo não parecia ser feito com leite de cabra). Senti muita falta de choclo, quinoa, empanada (aliás consegui passar a viagem inteira sem comer uma empanada!) e ceviche. O garçon foi muito simpático, mas a cozinha não me lembrou em nada a chilena.





No famoso Siga La Vaca, que trabalha em sistema auto-serviço ("serve-serve"), experimentei: Saladinha simpática (e salgada),Carré de porco (bom), Bife de chorizo (bom), Asado de tira (mais conhecido como "chiclete de tira", ótimo para exercitar o maxilar), Chorizo (salgado), Moleja (ressecada), Morcilla (já degustei melhores em São Paulo), Riñone (o único miúdo bom), Chinchuline (ressecado), Vacio (esturricado - eu que sempre imaginei que carne super passada fosse um sacrilégio para os argetinos) e vinho Pont L'évêque (chegou à mesa porque era incluso no preço - melhor não comentar). Para a sobremesa, pedimos um Sorvete de morango e limão (os sorvetes desta cidades são ótimos). Em duas tentativas de buscar mais parrilla, as carnes que pedi demoravam cerca de 15 minutos.

Engraçado o diálogo de uma senhora porteña com o parrillero:
senhora: Toda vez que venho buscar mais carne, o senhor me diz que ainda vai demorar 15 minutos...sessenta e três pesos para esperar tanto?
parrillero: Não entendi nada o que a senhora disse (rindo)!
senhora: pobrezinho....vai continuar aqui para sempre...

Depois deste diálogo, desisti de comer carne nesta casa.
Pessoalmente prefiro os rodízios de carne na minha cidade (onde ainda posso escolher o ponto da carne e quando quero comer).








Os sorvetes de Buenos Aires foram os meus preferidos da viagem. Sempre pedia na sobremesa e fui todos os dias em uma pequena sorveteria próxima do hotel. O dono da Helados Esmeralda (Calle Esmeralda) era rabugento, mas os sorvetes fantásticos: cremosos, com sabor de créme anglaise e frutas de verdade.



Para os brasileiros, o café argetino é aguado (degustei em confeitarias antigas, cafés de shopping, cafés de rua, cafés famosos, cafés de rede, cafés modernos, cafés gourmet). Apesar de utilizarem máquina de espresso. A solução para quem não consegue ficar sem café, foi pedir o "espresso curto" sempre. Pelo menos sempre serviam com água com gás. O charme das confeitarias e casas de café antigas mascarou a minha decepção com este bebida.





Como todo turista, trouxe na mala, alguns itens: alfajor, dulce de leche, chocolate, torrone, salame e queijo da Patagônia, geléia de marmelo (depois da peregrinação daquela vez), infusões, aceto balsâmico branco e fermento biológico seco (também trouxe farinha de trigo - já que os argentinos sabem exigir qualidade neste produto).

Postado por Nina Moori.