domingo, 23 de dezembro de 2007

Quarta Harmonização Virtual

Nesta quarta edição da harmonização virtual, A Rafaela e o Cláudio sugeriram que fizéssemos com um vinho tinto e um de sobremesa.
Os escolhidos da vez foram: o português Vinha do Alqueve 2003 e o chileno Tabalí 2005 late harvest muscat. Para harmonizar: Couscous com cordeiro e Torta de nectarina.

Couscous com cordeiro:
(duas porções)
400g de carne de cordeiro (peso líquido sem osso) em cubos de 4 cm
2 colheres de sopa de óleo
1 cebola fatiada
1 dente de alho picado
3 tomates sem pele e sem semente em cubinhos
sal
pimenta do reino
1/3 colher de chá de tomilho seco
1 folha de louro pequena
1/3 colher de chá de páprica
1 cenoura em cubos de 1,2 cm
1/3 de pimentão vermelho em pedaços quadrados de 1,2cm
1 abobrinha italiana em cubos de 3,8cm
250g de grão de bico cozido (cerca de 1 xícara)
salsa picada
140g de couscous instantâneo (1 ¾ xícara) – costumo usar da marca Ferrero ou Tipiak
1 colher de sopa de manteiga sem sal
Carne:
Doure a carne do cordeiro em óleo (faça em 2-3 porções). Retire da panela e reserve num pote.
Acrescente a cebola e alho na panela, refogue. Volte a carne (com o suco que depositou no fundo do pote). Junte tomate, ervas e duas xícaras de água quente. Adicione um pouco de sal (½ colher de chá) e páprica. Tampe e deixe cozinhar em fogo baixo por 1 ½ h ou até ficar tenro.
Junte cenoura e pimentão, cozinhe até amaciar os legumes. Se necessário adicione água (sempre quente, para não parar a cocção).
Adicione a abobrinha e o grão de bico. Cozinhe até amaciar a abobrinha (sem perder a forma). Corrija o sal, adicione pimenta do reino preta a gosto.
Couscous:
Ferva duas xícaras de água. Junte a manteiga e ½ colher de chá de sal. Desligue, junte o couscous, misture e tampe. Após 5 minutos. Mexa com auxílio de garfo.
Montagem:
Coloque o couscous em uma tigela rasa e espalhe o cozido de carne por cima. Polvilhe com salsa picada. Regue azeite extra virgem.

Torta-bolo de nectarina:
(três porções)
400g de nectarina madura (cerca de 4 unidades grandes)
2 colheres de sopa (rasa) de açúcar refinado
Cobertura:
¾ xícara de farinha de trigo
0,6 colher de chá de fermento químico
½ colher de chá de semente de papoula (opcional)
3 colheres de sopa (rasa) de açúcar refinado
¼ de tablete ou ¼ xícara de manteiga sem sal gelada em pedacinhos
½ ovo (abra um ovo inteiro, misture com um garfo apenas para dissolver e divida)
62ml (1/4 de xícara)de leite
1 colher de chá de açúcar de confeiteiro (opcional - para polvilhar)
Aqueça o forno à 180ºC.
Unte um refratário (que possa ir ao forno) ou potinhos individuais (ramekins) com um pouco de manteiga.
Descasque as nectarina e corte cada uma em seis gomos (descartando os caroços). Leve ao fogo com o açúcar e um pouco de água (1/2 – 1 colher se sopa). Cozinhe por uns 5 minutos, ou até dissolver o açúcar (não deixe as frutas se desfazerem). Espalhe sobre o refratário (1/3 da altura do recipiente). Reserve.
Misture o leite e o ovo com um garfo. Reserve.
Peneire a farinha, adicione o açúcar, a papoula e misture. Junte a manteiga e misture com auxílio de garfo ou ponta dos dedos até obter uma “farofa”. Adicione a mistura de ovo e misture rapidamente.
Espalhe sobre as nectarinas com auxílio de colher (até 2/3 da altura do recipiente). Asse por 30-40 minutos ou até que a cobertura fique dourada e cresça.
Sirva morna polvilhando açúcar de confeiteiro.


Impressão do Marcel: Achei que o tinto português já havia passado do seu apogeu. Aromas evoluídos, acidez marcante, um pouquinho de a.v. (vinagre), corpo leve, taninos finos em pouca quantidade e aromas mais evidentes de madeira, balsâmico e frutas vermelhas ácidas. Quanto à harmonização, como o peso do prato era muito maior que do vinho, a solução foi dar pequenas garfadas e goles maiores. Dessa forma, os dois se neutralizavam, porém não havia sinergia, além do vinho acidificar na boca.
O vinho de sobremesa chileno apresentava aromas mais evidentes de pêssego e maracujá, além de um pouco de mel. Na boca, uma agradável surpresa, a acidez muito presente e equilibrada com a doçura, fato raro entre os Late Harvests do Novo Mundo. Vinho excelente. Quanto à harmonização, achei excepcional. O vinho pode ser considerado como uma calda complementando a sobremesa. Houve equilíbrio de peso entre os dois, a acidez de ambos não os deixavam enjoativos, e o mais requintado: ocorreu uma equivalência aromática.

Impressão da Nina: na minha opinião não ocorreu harmonização do Vinha do Alqueve com o Couscous, o peso aromático do prato ultrapassou de longe o vinho. Teria sido melhor com uma vitela.
Sempre procuro os vinhos de sobremesa nas feiras e degustações de vinhos, não é comum encontrar algo com preço acessível que me agrade (uma vez que imagino o vinho harmonizando com as minhas “queridas” sobremesas). Fiquei feliz com a harmonização do Tabalí Late Harvest (doçura e acidez alta) e da Torta de Nectarina, pois houve uma repetição dos aromas.
Entrem no Le Vin au Blog (Couscous e Torta-bolo) para ler sobre as impressões desta harmonização.


Dúvida sobre os pesos e medidas dos ingredientes? Clique aqui.

Postado por Marcel Miwa e Nina Moori.

9 comentários:

Seja Simples disse...

Parabéns pelo espaço.
Boas Festas e um Ano Novo espetacular!

Nysa disse...

Ainda bem que conseguiu hoje ;-)!! Boas Festas e tudo de bom!!! Beijocas...

carlinhos disse...

Nina, passei aqui apenas para te desejar um natal cheio de cores, texturas, sabores. E um ano de 2008 essencial: na medida para a tua felicidade.

pipoka disse...

Venho desejar um Feliz Natal para vcs e vossa família e um 2008 recheado de paz, saúde e felicidade.

bjs

Gourmandise disse...

Obrigado a todos!
Feliz ano novo!
abs,
Marcel e Nina.

Laurinha disse...

Que lindinha a torta de nectarina, imagino o sabor!

Beijinhos,

Gourmandise disse...

Laurinha, é meio bolo-meio torta (se vc deixar a fruta mais sequinha, o bolo cresce mais, se deixar com mais calda, fica parecendo uma torta). Pode substituir por maçã, pera, pêssego, banana, damasco fresco....
bjinho,
Nina.

Marizé disse...

Nina, não vou poder postar no Tachos a nossa opinião, pois perdi as fotos devido a uma avaria na camera, não fiz em casa visto ter estado ausente, fizemos em casa do meu irmão, gostamos muito do cuscus e da tarte, mas o vinho não nos agradou muito, embora Ribatejano não é um vinho popular por aqui, não somos especialistas por isso não sei explicar tão bem como você.
A tarte é divinal mas o vinho da sobremesa eu não encontrei por isso bebemos Vinno abafado da adega de Gouxa, e gostámos.

Obrigada por tudo, beijocas e um SUPER 2008

Gourmandise disse...

Marizé, que pena a sua câmera ter avariado!
Quanto ao vinho tinto, acho que esta safra já não estava no auge, talvez tenha perdido a potência e aromas. Normalmente, o Marcel e eu gostamos dos vinhos do Ribatejo, mas este deixou um pouquinho a desejar.
Que bom que gostou das receitas! Não conheço este vinho de sobremesa (acho que nem tem por aqui).
bjinhos,
Nina.